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Depois de enjoar do maravilhoso mundo dos flertes por sms, Luiza descobriu o maravilhoso mundo de possuir créditos e fazer ligações, só para ouvir a voz rouca de Pedro (que era muito mais carinhoso nas ligações do que nas mensagens).
Já repararam como as pessoas economizam carinho em torpedos pelo celular? É como se, a cada palavra bonitinha, elas gastassem R$ 0,30 pelo minuto. Poucos são os que conseguem ser certeiros em míseros caracteres, fazendo brotar um sorriso do outro lado, daqueles em que se coloca em cheque a sanidade mental do individuo hipnotizado pelo telefone. Pedro era desses, mas só em dias ímpares. Devia ter alguma coisa a ver com a numerologia do seu nome combinada com a soma da data e hora em que as mensagens eram enviadas. E, assim, Luiza ficou viciada em ligar, exclusivamente porque era viciada em carinho e precisava ouvir a voz de Pedro: linda, sempre baixa, como se ele falasse ao seu ouvido enquanto tirava os fios da franja desfiada e diagonal do seu rosto.
Feliz mesmo era a operadora de telefonia de Luiza. Ela, coitada, estava ferrada!
Estávamos lado a lado, em silêncio. Apesar das vozes caladas, os olhares nos ensurdeciam, gritando aquilo que a covardia nos impedia de dizer.
E, enquanto isso, Caetano falava por nós:
“Quero tanto, quero tanto, quero tanto você…”
Queria poder te dizer que honestidade também é prova de amor. Mas, sinceramente, você não alcançaria o meu raciocínio.
Acho bastante modesto se autoafirmar como um ser humano em ascensão. Eu não diria, mas você o faz! A verdade é que, desde o dia em que nos abraçamos pela primeira vez, eu tenho te feito um ser humano melhor e alavancado a sua tal ascensão. E isso sem falar na elevação das suas frequências vibratórias.
Eu sei disso.
E isso sim é muito modesto.
Não adianta mais fingir que nossa telepatia é só mais uma coincidência da vida, coisa do acaso. Seu cheiro está impregnado em minhas roupas e em meus pensamentos e sei que deixei o meu nos seus lençóis. Não adianta dizer que não acredita ou que não quer, pois, assumindo ou não, nossa sintonia já tem outro nome.
(Source: dirtyfakelove, via iridescea)
E você pode negar, meu amor, mas eu bem vi sua dificuldade em me tirar dos seus braços e devolver à superfície. Na verdade, não precisava ter se esforçado tanto. Presa neles, eu sequer estava sentindo falta do ar.